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A Toca do Coelho · Guias de revisão de literatura

Revisão bibliográfica: o que é e como fazer, passo a passo

O que é revisão bibliográfica, a diferença para pesquisa bibliográfica e referencial teórico, os tipos (narrativa, integrativa, sistemática, de escopo) e um passo a passo com bases brasileiras: SciELO, Periódicos CAPES e BDTD.

21 de set. de 2026
Revisão bibliográfica: o que é e como fazer, passo a passo

TL;DR

A revisão bibliográfica (ou revisão de literatura) é o levantamento e a análise do que já foi publicado sobre o seu tema. Ela mostra o que se sabe, onde há divergência e que lacuna o seu trabalho ocupa. O processo tem seis etapas: delimitar a pergunta, definir palavras-chave e bases, buscar e registrar, selecionar com critérios, ler e fichar, e escrever por temas, não autor por autor. No TCC, o mais comum é a revisão narrativa; revisões integrativas e sistemáticas seguem protocolos próprios.

A revisão bibliográfica é a parte do trabalho em que você mostra que conhece a conversa acadêmica sobre o seu tema: o que já se pesquisou, com quais resultados, onde os autores discordam e o que ainda não foi respondido. É ela que sustenta a relevância do seu problema de pesquisa.

Este guia explica o conceito, os tipos de revisão e um processo em seis etapas, com as bases de dados usadas no Brasil.

O que é (e o que não é)

Três termos aparecem misturados nos manuais e nas orientações:

TermoO que é
Revisão bibliográfica ou de literaturaLevantamento e análise crítica das publicações sobre o tema. Responde: o que já se sabe?
Referencial teóricoOs conceitos e as teorias que você adota para analisar o seu objeto. Responde: com que lentes vou olhar?
Pesquisa bibliográficaUm tipo de pesquisa, elaborada a partir de material já publicado, em que as publicações são a fonte dos dados (Prodanov; Freitas, 2013, p. 54).

Em muitos TCCs, revisão e referencial teórico ficam na mesma seção. A diferença importa na escrita: a revisão mapeia o campo; o referencial escolhe, dentro dele, os conceitos com que você vai trabalhar.

Uma revisão não é uma sequência de resumos ("Fulano diz... Beltrano diz..."). É um texto argumentativo, organizado por temas, em que você compara, agrupa e avalia as fontes.

Tipos de revisão

TipoCaracterísticaQuando se usa
NarrativaSeleção e análise mais livres, sem protocolo rígido de buscaContextualização do tema em TCCs, dissertações e teses
IntegrativaBusca e seleção com critérios explícitos; reúne estudos de métodos diferentesTCCs e dissertações em saúde e enfermagem; síntese para a prática
SistemáticaProtocolo definido antes da busca, reprodutível, com avaliação da qualidade dos estudos; pode incluir meta-análiseResponder a uma pergunta específica com toda a evidência disponível
De escopoMapeia a extensão e o tipo de evidência sobre um tema amploTemas novos ou dispersos, antes de uma revisão sistemática

As revisões sistemáticas e de escopo costumam ser relatadas de acordo com a declaração PRISMA (na versão de 2020) e sua extensão para revisões de escopo, e o protocolo pode ser registrado em bases como o PROSPERO. Quando a revisão é o método do TCC, e não só uma seção dele, o tipo escolhido e os critérios precisam estar descritos na metodologia.

Como fazer: seis etapas

1. Delimite a pergunta

"Educação inclusiva" é um assunto; não orienta uma busca. "Quais estratégias de ensino de matemática para alunos com deficiência visual aparecem nas pesquisas brasileiras de 2015 a 2025?" orienta. Uma boa pergunta define o fenômeno, o contexto e o recorte. Em saúde, é comum estruturá-la com o acrônimo PICO (população, intervenção, comparação e desfecho).

Se a pergunta ainda está vaga, veja o guia sobre como escrever a pergunta de pesquisa.

2. Defina palavras-chave e bases

Liste os termos centrais, seus sinônimos e as traduções para o inglês e, se fizer sentido, o espanhol. Em saúde, consulte os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH) para usar o vocabulário controlado das bases.

Combine os termos com operadores booleanos:

("deficiência visual" OR cegueira OR "baixa visão") AND ("ensino de matemática" OR "educação matemática") AND (inclusão OR "educação inclusiva")

Bases mais usadas por estudantes brasileiros:

A biblioteca da sua universidade oferece treinamento nessas bases, e vale pedir ajuda ao bibliotecário para montar a estratégia de busca.

3. Busque e registre o que fez

Anote, para cada base, a expressão de busca, os filtros (período, idioma, tipo de documento), a data e o número de resultados. Em revisões integrativas e sistemáticas esse registro é obrigatório; nas narrativas, ele evita refazer buscas e permite descrever o percurso na metodologia.

Exporte os resultados para um gerenciador de referências ou uma planilha e elimine os duplicados.

4. Selecione com critérios

Defina antes o que entra e o que fica de fora: período, idioma, tipo de estudo, população, acesso ao texto completo. Depois, selecione em duas passadas: primeiro por título e resumo, depois pela leitura do texto completo.

Avalie também a qualidade da fonte. Artigos de periódicos revisados por pares, livros de editoras acadêmicas, teses e dissertações são a base. Blogs, sites sem autoria e apostilas servem, no máximo, para chegar às fontes originais.

5. Leia e fiche

Leia com a pergunta em mãos e registre, de cada texto: referência completa, objetivo, método, principais resultados, conceitos úteis e trechos que talvez você cite, sempre com a página. Esse registro é o fichamento, e é ele que evita o plágio acidental, porque separa o que é citação literal do que é paráfrase sua.

Uma matriz de síntese ajuda a enxergar o conjunto:

ReferênciaObjetivoMétodoPrincipais resultadosTema
Autor (ano)...Estudo de caso, 2 escolas...Materiais táteis
Autor (ano)...Survey, 120 professores...Formação docente

Ordenar a matriz pela coluna "tema" mostra quais assuntos têm muita pesquisa, quais têm pouca e onde os resultados se contradizem. Esses pontos viram a estrutura do seu texto e indicam as lacunas de pesquisa.

6. Escreva por temas

Organize a revisão em subseções temáticas, do mais geral para o mais próximo do seu problema. Em cada parágrafo, a frase principal é uma afirmação sua sobre o conjunto das fontes, e as citações a sustentam.

Compare as duas versões:

Versão resumo: Silva Filho et al. (2007) estudaram a evasão com dados oficiais. Baggi e Lopes (2011) fizeram um levantamento na BDTD. Branco, Conte e Habowski (2020) mapearam teses e dissertações sobre a EaD.

Versão síntese: A evasão no ensino superior brasileiro é medida há tempo com dados oficiais, que permitem comparações regionais e internacionais (Silva Filho et al., 2007), mas o que a produção acadêmica acumula é sobretudo levantamento: tanto a revisão de Baggi e Lopes (2011), sobre evasão e avaliação institucional, quanto a de Branco, Conte e Habowski (2020), sobre a educação a distância, partem das teses e dissertações depositadas na BDTD. Baggi e Lopes concluem que a relação entre evasão e avaliação institucional continua pouco estudada; Branco, Conte e Habowski registram a tendência de atribuir as causas ao estudante, e não à instituição formadora. As duas leituras convergem para um ângulo pouco explorado: o que as próprias instituições fazem com o que já sabem.

A segunda versão agrupa, compara e conclui; é isso que a banca procura. As três obras citadas são reais e estão nas fontes consultadas.

Feche a revisão com um parágrafo que retome o que o campo já sabe, aponte a lacuna e ligue essa lacuna ao seu objetivo.

Citações e referências

Todas as ideias de outros autores levam citação, direta ou indireta, no padrão da NBR 10520:2023: (Baggi; Lopes, 2011) ou Baggi e Lopes (2011, p. 370). A lista de referências segue a NBR 6023:2025. Veja os guias de citação direta e indireta e das normas ABNT.

Evite o apud como hábito. Se um autor é central para a sua revisão, leia-o no original.

Erros mais comuns

Fontes consultadas

Perguntas frequentes

Revisão bibliográfica e revisão de literatura são a mesma coisa?

No uso corrente das universidades brasileiras, sim: os dois nomes designam a parte do trabalho que levanta e discute o que já foi publicado sobre o tema. Alguns programas preferem 'revisão de literatura', outros 'revisão bibliográfica' ou 'estado da arte'. Use o termo do manual do seu curso.

Qual a diferença entre revisão bibliográfica e pesquisa bibliográfica?

A revisão bibliográfica é uma etapa presente em qualquer pesquisa: todo trabalho precisa situar-se no que já foi publicado. A pesquisa bibliográfica é um tipo de pesquisa, em que as publicações são a própria fonte de dados e não há coleta em campo ou em laboratório. Um TCC experimental tem revisão bibliográfica, mas não é uma pesquisa bibliográfica.

Quantas fontes uma revisão bibliográfica precisa ter?

Não existe número fixo na ABNT nem nos manuais de metodologia. O critério é a cobertura: os autores centrais do tema, as pesquisas recentes e as posições divergentes precisam estar lá. Pergunte ao seu orientador a expectativa do curso e observe os TCCs aprovados na sua área.

Preciso usar só fontes dos últimos cinco anos?

Essa é uma regra de alguns cursos, não da ABNT. Ela faz sentido para o panorama das pesquisas recentes, mas obras clássicas e textos fundadores de um conceito continuam sendo citados, qualquer que seja a data. Se o curso impõe um recorte temporal, explique na metodologia como ele foi aplicado.

Posso usar IA para fazer a revisão bibliográfica?

Ferramentas de IA ajudam a encontrar e a organizar fontes, mas não substituem a leitura, e chatbots genéricos inventam referências com frequência. Confira cada fonte na base original, leia o que for citar e siga a regra do seu curso sobre declaração de uso de IA. O texto da revisão precisa ser seu.

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